Assine o Feed desse BlogEnfim, o Outono mete as mãos de vento a forçar passagem por entre janelas e portas, a invadir cozinhas e salas. Acendemos o lume. Entre as esfregas das mãos, a visão da lenha a arder provoca-nos suspiros sobre as promessas de verão não cumpridas [...] CONTINUE LENDO clicando aqui… Filed under: Alvarenga , Diário Fantástico , José Roldão , Literatura , Literatura Portuguesa , Solidão Tagged: cozinha , inverno , Janelas , lenha , lume , outono , portas , sala , silêncio , vento.
Muitos olhos. Eu tenho muitos olhos. Dois deles trago sempre comigo e os outros deixo-os guardados, pois já estão cheios de imagens, cansados, em repouso dentro da gaveta de um guarda-fatos, na memória. Em algumas noites vou até lá, retiro os que estão em uso e meto uns a sorte para ver se ainda estão a funcionar perfeitamente. É preciso certo ritual antes de o fazer… CONTINUE LENDO… Filed under: Diário Fantástico , José Roldão , Literatura , Literatura Portuguesa , Solidão Tagged: Memórias , So
Abro um saco repleto de fotografias como quem dá o primeiro passo para dentro de um túnel do tempo. Paredes apertadas, escuras (não vejo a luz, enganaram-me os relatos de quase-morte) e eu não sinto cheiro algum. Seguro a primeira foto e percebo que o meu passado não me pesa nada: lembranças leves de fim de tarde numa casa colorida pelo sol quase a se pôr, móveis cor de cerejeira, tapetes com desenhos sem lógica em tons de vinho, branco e amarelo escuro, umas sandálias apertadas e meias brancas
“É preciso lembrarmo-nos de que, como a Europa é um todo (…), assim a literatura europeia é um todo, de que os diversos membros não podem florescer se a mesma corrente sanguínea não circular através de todo o corpo. A corrente sanguínea da literatura europeia é latina e grega – não como dois sistema
Matei o meu marido sim senhor, e daí? Andava já ressequida pela vida, abandonada junto aos móveis da casa e (casa? isto não se parece com uma) já não esperava nada de ti Pedro Afonso, nada, pois só ouvia-te a chamar-me pelo nome quando chegavas bêbado já tarde da noite e não era bem tu que chamavas-
Qual a idade do tempo? Qual não seria a alegria de assistir ao primeiro segundo de sua existência? E nós seres humanos, cativos do tempo, sem poder imaginar como seria antes desse primeiro segundo, o que havia, o que haveria de estar em semente na mente do Logos, O Logos ali (sempre o imaginei em um
Eu gastando tantas letras e a pensar que deve haver um limite no Infinito, visto que no infinito não há tempo e as coisas por lá todas terminadas, em sua forma definitiva. Jogassem-me lá e eu perguntava — Olha, quantas letras eu escrevi? No entanto, depois de voltar ao presente, se eu ainda vivo, co
Disse a minha mãe, agora ao almoço — Lembro-me perfeitamente do gosto de um queijo que eu comi há quarenta anos na Igreja então passei a lembrar dos gostos e cheiros que também guardo perfeitamente, dos quais basta uma palavra para que retornem ao nariz e à boca, ela continua — Era um queijo que vin
Acho que os cães entediam-se em certas madrugadas e põem-se a latir, resmungando para outros cães. Pode ser que exista uma linguagem e percebo que eles se comunicam a outros mais distantes em alguma disputa indecifrável para nós, humanos Estão lá os cães a latir… Continue lendo… Posted
Chegar à aldeia e encontrar os amigos enevoados por causa do tempo e da distância, desanuviar as feições, forçar a rouquidão que é a rusga da pressa no falar e logo todas as vozes em uníssono saindo pela boca do Migue — Parece que foi ontem, pá enquanto o outro que leva o mesmo [...]
Ando cá fechado em minha torre, meio isolado do mundo em um momento de transição, daqueles em que são estendidas no varal notas de solidão querida, desejada, como se a única coisa que importasse fosse ruminar a vida em silêncio Há roupa para lavar, mas finjo que me esqueço; há-de haver um tempo cert
Sozinho, durante a madrugada, olhando as casas e as ruas da minha janela, eu fico imaginando as pessoas dormindo. Olho para os postes, pontos de luz que deixam os caminhos em sépia (… Continue lendo… Posted in Fragmentos, José Roldão, Literatura, Literatura Portuguesa, Narrativas, Relatos, Sol
Meu pai ensinou-me a jogar damas quando eu era ainda bem pequeno. Ganhou todas as partidas por anos a fio. Fui crescendo; no entanto não o vencia. Fiquei tão bom no jogo de damas que ninguém da minha rua queria mais jogar comigo, pois ganhava a todos. Só ao meu pai que não Certa noite, depois [...]
— O que importa o lugar, Dane-se! Cale-se!, pois trago todo o peso do mundo comigo, minha filha está morta, se fosse viva dois mundos apoiavam-se em meus ombros mais a minha filhinha a bater-me, a gritar-me, jogando coisas e deixando marcas de suor nas paredes, os dedos dela a perfurarem o abdômen f
Caros amigos Estou agora com um domínio próprio e todo o conteúdo deste blog já foi transplantado para o mesmo. De agora em diante, vou publicar naquele endereço e só esporadicamente copiarei algo delá prá cá, a nível de manter este blog e nome, e também para que ninguém se perca no meio...
Existem ponte São tanta E o problema de existirem assi Tanta É que ficamos parado (nos momentos decisivos A olhar para cada uma dela Os olhos bem aberto Às diversas possibilidade E o problema de existirem assi Tanta É que ficamos perdido (e nos esquecemos das pontes, por instantes A pensar em ca...
Nuno passava as tardes brincando quieto, em silêncio. Seus pais sempre dormiam após o almoço e ele ficava sozinho pela casa imensa. Quando somos pequenos todas as coisas parecem enormes. Ou será que vão encolhendo na medida em que crescemos? É de conhecimento público que nós é que crescemos...
Só percebemos o moment quando o buscamos no passado O presente à nossa volta entorpece-nos turva-nos os pensamentos É preciso pressa; agora Mais tarde quando tudo se tornar memória somos ainda capazes de retocar os acontecimentos Pegamo-los para nós; arrancamo-los do tempo Os que fazem isto com...
“Era uma livraria que vendia um único livro. Havia 100 mil exemplares numerados do mesmo livro. Como em qualquer outra livraria os compradores demoravam-se, hesitando no número a escolher” (Gonçalo M. Tavares - O Senhor Brecht, Editora Casa da Palavra, 1ª Edição osted in De Outros...
O pai morre e ele, que era duro, endureceu mais Informou da existência do cadáve como quem relembra um pormenor Amava o pai, mas o coração é assi esconde-se quando o querem matar ( 1 - Gonçalo M. Tavares, Editora Bertrand Brasil 2005 Posted in De Outros Autores, Fragmentos, Gon...